Sobre ser feliz em um mundo fake

Alguém consegue explicar qual é a razão (se existe uma) para vivermos a nossa vida inteira nos preocupando com a opinião de outras pessoas, e passando isso na frente de qualquer real desejo?
Temos uma ânsia por aprovação, que passamos a nos importar exclusivamente com o que as pessoas vão dizer a nosso respeito.
O que nós mesmos pensamos pouco importa. O tal do amor próprio então… xi coitado, esse daí anda bem escondido e apagadinho.

A pergunta que deveríamos fazer primeiramente é: isso me fará feliz, é o que almejo? Se sim, bola pra frente. Mas daí a pergunta que vem é: nossa, o que as pessoas vão falar ou pensar sobre mim? Melhor não então.
Esse risco paralisa e deixamos de fazer muitas coisas que gostaríamos de ter feito por medo, vergonha e ego.

E desde que o mundo é mundo, vivemos esses dilemas existenciais. Acontece que com a explosão da internet, veio junto uma vitrine de egos. Vidas e corpos perfeitos para todos os lados. E parece que a cada dia fica mais difícil ter uma vida boa e plena.
Sem falar no anonimato. Nunca falaram tão bem e mal sobre tantas coisas e pessoas. É uma terra onde todos sabem sobre tudo e como estão protegidos por uma tela de computador, pessoas falam coisas que jamais diriam pessoalmente, cara a cara. Machucam outras sem se importar com consequências, que normalmente é vivida por quem está no holofote. É a era dos haters e do ódio gratuito.

Outra coisa que mudou é a realidade e a nossa referência de felicidade.
Tenho certeza que você era mais feliz com seu corpo antes de chegar toda a geração fitness no Instagram. Corpos perfeitos, dietas e estilos alimentares até entao pouco difundidos. Eu até amava meu sorriso, até que um dia comecei a notar que todas as blogueiras tinham um sorriso branco, perfeito e resulente. Potz, tolinha eu em acreditar que isso aqui tava bom.

Como tudo na vida, existe o lado maravilhoso da internet – se soubermos aproveitar corretamente e criarmos um senso crítico, aprendermos a ter um olhar mais aguçado sobre as circunstâncias e entender que ali está o lado bom de todo mundo. Se entendermos que nem tudo tem que ser daquele jeito e que tenho minhas qualidades e beleza e pra me sentir bela e feliz, não preciso me transformar no que todas as blogueiras de moda estão se transformando.

Eu que amo viajar, passei a ter uma lista muito maior depois que vi canais e instas de lugares que eu mal sabia que existiam.
Também passei a entender mais do universo de energias, astrologia, aprendi a me valorizar mais com algumas maquiagens e mais que isso, a entender que a forma que me sinto vai depender de dois fatores:

1. Saber quais redes sociais devo seguir e procurar deletar tudo aquilo que me faz sentir mal comigo mesma. Assim consigo voltar para uma vida mais “real”, sem fotos fakes e um status inatingível e surreal.
Percebi que isso me deixou mais leve e aos poucos foi voltando a satisfa;áo pelas pequenas coisas.

2. Me inspirar nas pessoas “bacanas”e os digitais influencers para correr atrás do que quero, pegando dicas e entendendo o mindset. Entao aquela viagem incrível que vlogaram, se torna meu ponto de partida para buscar mais dicas, informações do local e juntar a grana necessária para as próximas férias.
Aquela dica bacana sobre cabelo, vai me ajudar a valorizar mais um penteado no próximo aniversário, e aquele post de um look com um vestido valorizando a cintura fina que eu não tenho, pode me inspirar a colocar em jogo outra parte do corpo que considero muito bonita em mim, ao invés de querer mudar meu corpo para algo fora do meu biotipo.
Fora a oportunidade de encontrar pessoas que pensam da mesma forma que eu, ou que possuem os mesmos interesses. Aquela dica que há anos estava procurando para cabelos finos, pode ser encontrada facilmente em blogs de pessoas que sofrem do mesmo problema. Que maravilha! Compartilhar experiências e dicas com pessoas do mundo todo.

Somos as cinco pessoas que mais convivemos.
Agora, com a constante presença online, podemos dizer que somos também as 5 pessoas que mais assistimos e seguimos na internet.
E aí? Você já parou pra observar quem anda seguindo nas redes sociais?

Chega a ser angustiante o mundo perfeito que pregam por aí, que pelo visto muita gente já vivia nele, mas eu só não sabia porquê não era compartilhado.
E posso falar? Ao mesmo tempo essa vida de puro glamour parece de plástico e só por isso deve ser muito frustrante. Porque somos de carne e osso e por natureza imperfeitos.
Os altos e baixos da vida, significam que SIM estamos vivos! Erramos, mas concertamos a tempo.

Talvez eu nunca tenha aquele cabelo maravilhoso, mas também sei que meu sorriso é um ponto forte, e que o mais legal de tudo é que ele diz muito mias sobre mim do que um mega gigante de sereia jamais diria.

E se ao invés de sofrermos, de nos transformarmos colocando cílios, dentes, boca, bochecha, peito e bunda, resolvêssemos prestar mais atenção em nossos sentimentos, e aproveitar a onda de vida feliz na internet pra vivermos nosso presente da forma mais feliz que pudermos?
Claro que isso é um exercício diário, mas pode se tornar hábito sim!

Ok. O que for inevitável mude. Mas perceba que se a busca por mudanças em seu físico, em seu corpo forem frequentes, algo dentro de você que não tá legal e não é um cílio russo ou boca volumosa que vai te fazer se sentir melhor.

Um exercício que tenho feito e tem me ajudado bastante foi primeiro observar qual é o meu sentimento ao assistir devidos stories, ler artigos, ou ver youtube. Buscar entender mais como eu me sinto consumindo aquele conteúdo, e o que esses momentos nas redes sociais estão me agregando, me fez repensar quem eu sigo e o quanto passo no celular.
Fazendo essa reflexão constantemente, quando o sentimento é ruim, dou logo um unfollow e não paro por aí! Procuro fazer uma introspeccao sobre o porquê aquilo me afetou e passo a acolher melhor minha sombra. Aceito melhor meus defeitos e procuro trabalhar aquilo dentro de mim. E sabe que descubro que as vezes o defeito – problema não está em mim, e sim no influencer que passou aquela informação irrelevante e deturpada. Mas ele também é ser humano, e erra né? Então existe tolerância também.

Se são stories que me fazem rir, que me fazem sentir bem por mais bobos que sejam, deixo ficar. Não se joga em time que está ganhando.
Eu busco a felicidade e se sinto isso com pessoas que se expõe na internet, tá tudo certo.

Pra finalizar, uma última mudança que toda essa historia e mix de sentimentos têm me trazido é compartilhar meus bons momentos aqui também e fazer parte dessa rede colaborativa positivamente claro. Inspirar pessoas a serem mais felizes de alguma forma.
Isso agrega demais e faz mais sentido estar viva sabendo que existe espaço aqui pra compartilhar meus sentimentos, aprendizados e anseios com pessoas que querem ver. E sei que tem alguém ali que se sente feliz ao ler meu blog, ao ver meus stories. Isso faz todo o sentido.
E por aqui nada de fake hein. Isso eu posso prometer!

A nossa vida só vale a pena quando observarmos que fazemos a diferença em outras vidas. Seja na do vizinho, do irmão, do filho e porquê não de pessoas que você mal conhece.

Então vamos juntos tirar o borrão do rosto, abrir um belo sorriso e nos permitirmos ser felizes com todo o pacote de coisas boas e ruins que somos.

Quem vem comigo?

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