Lista do que fazer antes de morrer

Talvez esse Post seja sobre paixões. Auto-conhecimento regado à grandes paixões. Eu sempre fui apaixonada por comunicação. Na realidade, existe um pacote composto por uma lista um pouco variada – artes, cinema, escrita, teatro, música… e vários meios onde eu possa me expressar. Coloque aí uma paixão por viajar, por descobrir novos lugares, pessoas e me auto descobrir.

Tudo o que é rotina me cansa. A mesmice, me incomoda de uma forma avassaladora. E não é surpresa que normalmente meio termo e pessoas vazias é uma combinação que faço questão de deixar sempre bem longe de mim.

Não gosto de nada mais ou menos resolvido. Sabe aquelas pessoas que aceitam tudo, ou estão sempre em cima do muro? E aquelas acomodadas que não gostam do novo, de crescer e evoluir? Elas me incomodam mais que cheiro de salgadinho de queijo, que uma criança sentada atrás de você está comendo em uma viagem de 9 horas para o México, após muita fila no aeroporto e mala extraviada devido à uma conexão (já aconteceu comigo, acredite…rs).

E não é só porquê a astrologia explica, ou porquê vivem escrevendo em revistas de fofoca e de mulherzinha, mas sou a típica capricorniana que tem poucos amigos (e pode acreditar, são os melhores e não meço esforços para ajudá-los), que trabalha muito mais que o normal (e adora isso), que é extrovertida porém reservada, que tem pavor de barraco mas que entra em guerras estratosféricas por quem ama. Bem intensa, do tipo “ame ou odeie”.

As vezes, continuo passando a imagem de antipática e para algumas pessoas de anti-social (ou sem educação), ainda que algumas me classifiquem como arrogante ou até uma pessoa espontânea e assertiva. E acredite, contraditoriamente sou vista por muitos amigos como a engraçada, divertida e alegre. Só para confundir um pouco tudo o que poderia descrever como traços fortes da minha personalidade.

Tem muita gente que diz que é lenda toda essa história que se cria sobre a crise dos 30 anos, e pasmem, não bastasse toda a complexidade que envolve ser quem eu sou, a tal crise, de fato passou por mim – mas trouxe resultados muito positivos. E agora aos 35 estou em uma nova crise (ou prefiro dizer, estou me redescobrindo e tomando alguns sustos com tantas mudanças).

E mesmo assim, posso afirmar que os resultados colhidos que puderam ser assistidos no último ano, descrevem bem todo o sucesso e gratidão por poder ser uma prova viva que essa crise de fato existe. Ou pelo menos, existiu pra mim. A dos 30. A dos 35. Deve ter a dos 40… ainda vou pesquisar na numerologia se aqueles ciclos que comentam de 7 em 7 anos, pode, eventualmente ser de 5 em 5.

E então tudo teve início com os pensamentos e reflexões na última semana de Dezembro de 2013. 

A minha maior dúvida, envolviam os últimos 10 anos da minha vida – época em que iniciei a faculdade, conheci um grande amor, passei por noivado, coração partido, pré depressão, desentendimento com os pais, intercâmbio nos Estados Unidos, dificuldade em perdoar, situações que me fizeram ter que um dia perdoar (e ser perdoada), retorno ao Brasil e dificuldades de recolocação no mercado profissional, um outro namoro longo, desgastante, conturbado e dramático, liberdade, reconhecimento profissional e coloque aí o ponto crucial e mais importante de toda a crise – aos 30 anos, não tinha feito nem metade das coisas que eu sonhei fazer quando tinha 20, e ainda assim não conseguia dizer com certeza absoluta e conhecimento de causa qual era o grande propósito da minha vida.

Eu poderia culpar muitas coisas e pessoas. Encontrar desculpas, é muito fácil, como o discurso clichê: não tive tempo, não tive oportunidade ou vivo em um país onde tudo é muito mais difícil. A verdade é que a correria do dia a dia acaba camuflando quem realmente somos e se não nos atentarmos no momento presente, corremos o risco de passar uma vida inteira só seguindo o fluxo, apenas sobrevivendo. Ah, eu verdadeiramente acredito que a vida é muito mais que isso.

E esses pensamentos viviam sussurrando na minha cabeça, mas confesso que quando completei 30 anos eles deixaram a educação de lado e começaram a gritar. Todo dia. Toda hora.

Como não me sobrou alternativa a não ser ouvir (ou ficaria louca), resolvi refletir um pouco mais sobre como levei meus últimos anos e tentar de alguma forma encontrar uma maneira de mudar minha postura perante à vida, ou então, entraria em uma nova crise toda vez que completasse mais um ano de vida.

E sabe?! Não deve existir maior desperdício, maior pecado de estar vivo e não viver de verdade. Viver pra agradar os outros, grande bobeira. Viver de aparências, quando o que mais deveria importar é tudo o que se passa dentro do seu coração. Tem gente que vive uma vida inteira e só no final descobre que queria ter feito tudo diferente. Puta merda pra quê tanto tempo jogado fora se dá pra ser feliz bem aqui e agora?

Para a minha (não) surpresa, eu não me lembrava de momentos dos quais me orgulhasse ou que fossem memoráveis. Na verdade tinha sim, mas eram poucos em uma retrospectiva considerável, afinal, muita coisa pode ser feita em 10 anos.

E quando comecei a me sentir dessa forma, aA única coisa que consegui fazer, foi começar a escrever. Eu me deparei com muitas coisas das quais sempre tive vontade de fazer, e não conseguia explicar o porquê nunca tinha feito. E não se tratava de algo caro ou impossível de cumprir num curto espaço de tempo, como viajar pro Alasca por exemplo. Algumas coisas dependiam sim de um planejamento e tempo, mas muitas coisas poderiam ser realizadas apenas com meu esforço, com a minha dedicação, ou as vezes de um momento só meu – e também seria mais do que essencial, riscar a tal palavra procrastinação da minha vida (porquê se eu pudesse apontar um culpado, pode apostar que aí está um dos grandes vilões).

Quando coloquei tudo no papel, descobri ali uma lista enorme, que contempla viagens, cursos, vontades, pessoas e momentos. E então, eu notei que jamais conseguiria cumprir aquilo tudo em um único ano, mas percebi que não adiantava chorar pelo o que passou. E tracei a meta de focar meus esforços em realizar ao menos 90% daquela lista. Porque independente de desculpas ou justificativas, estamos aqui para ser feliz, e isso significa ouvir o coração e tomar ações para atendê-lo, mesmo que isso soe um pouco egoísta ou que as vezes algumas condições impostas pela sociedade sejam deixadas de lado.

Foi assim que comecei o Youtube. Ele faz parte da minha “Bucket List”.
Criar um blog pra me expressar é outro item. Não consegui focar 100% do tempo neles, deixei há um certo tempo de gravar vídeos, por correria da profissão, mas me cobro sempre em olhar pra minha lista dos sonhos e correr atrás das metas estabelecidas, pois tudo o que está ali foi escrito em momentos de inspiração e sei que muitas distrações aparecerão no caminho. O importante é não perder o foco. Não desistir.

É engraçado como passamos a sobreviver ao invés de viver. De como a rotina, as obrigações e a sociedade nos distraem do foco e nos esquecemos da nossa verdadeira essência. E aí, nos obrigamos a ser criativos (principalmente marketeiros e publicitários, assim como eu) e não entendemos onde foi parar todo o entusiasmo e incrível mundo que criávamos a cada 5 segundos, desde pequenos. O mundo da imaginação, o mundo dos sonhos, um mundo onde tudo era possível.

Então não tem receita melhor pra adquirir todo aquele velho entusiasmo (que de velho não tem nada): a não ser fazer coisas que ama, dar mais atenção ao seu propósito de vida e escutar o coração.

Eu pelo menos, neste exato momento, não encontro outra solução que me leve em direção à felicidade.

Não podemos deixar o resto ser parte grande de um todo e o especial ser menor que a parte de um resto (?). Até porquê, o resto, deve ser só consequência de erros de percurso. 

Fiquei mais feliz ainda em não precisar estar em um estado terminal, com a saúde afetada, ou algum problema grave para perceber todas essas coisas. E mesmo que alguém tome consciência somente ao se deparar com as situações acima, com limitações e dificuldades, ainda assim dá tempo pra mudar.

De uma lista com 90 e tantos itens, consigo orgulhosamente olhar e perceber que atingi vários deles. E que em apenas um ano, contemplei um sentimento de realização e gratidão, maior que os últimos dez. E aquela frustração vivida aos 30, se transformou em completa satisfação aos 31.

Ainda sou a mais ansiosa, a extremista, aquela que tem a memória fraca e que irrita a amiga ao se esquecer daquela história sobre o bafafá todo que envolvia o natal na casa da Vó Maria, e também aquela que acredita que é especial,  a mais otimista dos amigos que sempre procura animar e reforçar que tudo pode melhorar, a que tem manias e perfeccionismo a ponto de ser considerado TOC as vezes, a que não acredita em barreiras e que as pessoas podem sim fazer o que amam porquê no final o universo conspira a favor e que nada é impossível, basta acreditar e ter coragem para lutar. Logo, mesmo com tantas mudanças, percebe-se que a essência continua a mesma.

Hoje, com 35 anos, posso afirmar que finalmente sinto que estou no caminho que almejava estar. E que alguns dos desejos mudaram, mas a busca por ouvir o coração e os pequenos momentos da vida continua aqui e é natural que alguns mudem. O melhor de tudo é saber que esse é um caminho sem volta.

Nos próximos dias, compartilharei a lista inicial escrita e os detalhes do que já foi realizado e como tudo isso me mudou.

Sou muito feliz com tantas descobertas e por quem estou me tornando. E espero de coração inspirar pessoas a fazer o mesmo, e esse é um dos objetivos por compartilhar isso com vocês. 🙂

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